19/04/07

PORQUE "FOGEM" OS MONCHIQUENSES?

(clique em cima da foto para ampliar)
OU QUANDO A CIDADE DE PORTIMÃO, ALI TÃO PERTO, SEMPRE OS ATRAIU!

Portimão, sempre foi a cidade predilecta dos naturais de Monchique, são milhares que ao longo dos anos a escolherem para viver e trabalhar, não estivesse ela ali tão próxima. É um fascínio tão grande por ela e pelo mar, que os leva a abandonar a sua terra para sempre.

Em segundo lugar porque escasseiam os empregos, e como não há investimentos por parte dos empresários, o Estado parece ser aqui o patrão mais desejado, quando este começa a retirar, inicia-se o ciclo da desertificação humana.

Quando se encerram escolas, finanças, tribunais e outros serviços públicos, tudo pode acontecer, e ainda menos pessoas ficam no interior. Começa, assim, um ciclo vicioso que está a acabar com as nossas Vilas e Aldeias.

Por tudo o que está a acontecer, há quem veja na regionalização a resolução para muitas contrariedades, o que mais uma vez coloca o Estado no meio de tudo, para a solução de todos os problemas, porque também não é mudando o mapa político e administrativo que se consegue travar o declínio da nossa e de outras Vilas.

Os Monchiquenses têm, agora, melhores condições de vida, do que há 50 anos atrás, e até se vive melhor, o que leva então a este êxodo? Os mais velhos vão cumprindo o ciclo normal da renovação da vida, e vão desaparecendo, e os mais novos, terminando a escola, abandonam Monchique, não encontrando aqui oportunidades de trabalho, a Câmara é a única “empresa”que seduz a maioria do jovens e os empregos não dão para todos.

Já ninguém quer trabalhar na agricultura, e é difícil os jovens quererem trabalhar na construção civil, por exemplo. Monchique poderia ter outro futuro? A resposta é difícil de se dar, mesmo que se gaste verbas astronómicas para se promover a nossa região, onde ninguém quer investir, é difícil descortinar um futuro brilhante.

Sempre se tem falado no desenvolvimento regional, mas num altura decorrente da globalização e onde a própria U.E tem dificuldades para se afirmar, é inevitável que só com grandes concentrações de recursos humanos e materiais, e com pessoas bem qualificadas é possível às empresas, lutarem de igual para igual numa competição, que possa gerar ganhos de produtividade.

Para que serviu, então, melhores Estradas e Infra-estruturas como a Electricidade e as Telecomunicações, para estimular o desenvolvimento no nosso interior? Serviu sobretudo para as pessoas que há muito partiram voltarem a visitar os seus Pais, familiares e amigos e, ainda, passar fins de semana e férias, “à terra” ou às residências secundárias que entretanto adquiriram, fruto do seu trabalho e das melhores condições de vida, conseguido, nos grandes centos populacionais.

Poderá ainda um novo interior surgir? Penso que sim, até porque o turismo tem em Monchique enormes potencialidades, por isso é preciso preservar a paisagem que ainda não foi destruída e cuidar do ambiente.

Só que as mudanças fazem a sua dor, e é uma tristeza ver partir a maior parte dos nossos amigos, em busca duma vida melhor. Por muito que Monchique ainda venha um dia a ser aprazível viver, ninguém pode evitar o sofrimento dos que vêem ruir a esperança de puderem ter uma vida digna na terra que os viu nascer e crescer.

Espero ao menos que todas as vítimas deste “progresso”, que já ninguém parece controlar, sirva de exemplo para que alguma coisa no futuro, possa mudar para melhorar a nossa terra que tanto amamos.

3 comentários:

MaD disse...

É a inexorável evolução dos tempos, amigo Sonhador...
Essencial é preservar e deixar o legado para o futuro. Quem vier atrás saberá solucionar à sua maneira.
A foto da marina da Praia da Rocha está espectacular!... Parabéns.

Anónimo disse...

Não pretendo o papel de "profeta" mas aquilo a que muitos chamam progresso eu chamo construção em altura. E esse "progresso" vai chegar, inevitavelmente a Monchique. Nessa altura Monchique vai ficar descarecterizada e entregue aos construtores. Isso vai acontecer quando as pessoas que vivem em Portimão se aperceberem que em Monchique têm mais tranquilidade, que os apartamentos são mais baratos, que afastam os filhos da droga e da marginalidade e que podem continuar a ter os seus empregos em Portimão porque os meios de comunicação agora são bons. Monchique passa a ser o dormitório de Portimão. O que acabo de expôr não se deve á minha fértil imaginação mas a analogia com São Brás de Alportel que aconteceu exactamente o mesmo em relação a Faro. Saudações ao Sonhador.

Anónimo disse...

tenho que dar os parabéns ao comentário anterior.
É verdade!
Abraço

Paulo

Veja as fotos que se encontram, em baixo, no final do blogue!

Todas as fotos são referentes ao concelho de Monchique!

as mesmas são propriedade deste blogue e do seu autor

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