(clique em cima da foto para ampliar)
OU QUANDO A CIDADE DE PORTIMÃO, ALI TÃO PERTO, SEMPRE OS ATRAIU!
Portimão, sempre foi a cidade predilecta dos naturais de Monchique, são milhares que ao longo dos anos a escolherem para viver e trabalhar, não estivesse ela ali tão próxima. É um fascínio tão grande por ela e pelo mar, que os leva a abandonar a sua terra para sempre.
Em segundo lugar porque escasseiam os empregos, e como não há investimentos por parte dos empresários, o Estado parece ser aqui o patrão mais desejado, quando este começa a retirar, inicia-se o ciclo da desertificação humana.
Quando se encerram escolas, finanças, tribunais e outros serviços públicos, tudo pode acontecer, e ainda menos pessoas ficam no interior. Começa, assim, um ciclo vicioso que está a acabar com as nossas Vilas e Aldeias.
Por tudo o que está a acontecer, há quem veja na regionalização a resolução para muitas contrariedades, o que mais uma vez coloca o Estado no meio de tudo, para a solução de todos os problemas, porque também não é mudando o mapa político e administrativo que se consegue travar o declínio da nossa e de outras Vilas.
Os Monchiquenses têm, agora, melhores condições de vida, do que há 50 anos atrás, e até se vive melhor, o que leva então a este êxodo? Os mais velhos vão cumprindo o ciclo normal da renovação da vida, e vão desaparecendo, e os mais novos, terminando a escola, abandonam Monchique, não encontrando aqui oportunidades de trabalho, a Câmara é a única “empresa”que seduz a maioria do jovens e os empregos não dão para todos.
Já ninguém quer trabalhar na agricultura, e é difícil os jovens quererem trabalhar na construção civil, por exemplo. Monchique poderia ter outro futuro? A resposta é difícil de se dar, mesmo que se gaste verbas astronómicas para se promover a nossa região, onde ninguém quer investir, é difícil descortinar um futuro brilhante.
Sempre se tem falado no desenvolvimento regional, mas num altura decorrente da globalização e onde a própria U.E tem dificuldades para se afirmar, é inevitável que só com grandes concentrações de recursos humanos e materiais, e com pessoas bem qualificadas é possível às empresas, lutarem de igual para igual numa competição, que possa gerar ganhos de produtividade.
Para que serviu, então, melhores Estradas e Infra-estruturas como a Electricidade e as Telecomunicações, para estimular o desenvolvimento no nosso interior? Serviu sobretudo para as pessoas que há muito partiram voltarem a visitar os seus Pais, familiares e amigos e, ainda, passar fins de semana e férias, “à terra” ou às residências secundárias que entretanto adquiriram, fruto do seu trabalho e das melhores condições de vida, conseguido, nos grandes centos populacionais.
Poderá ainda um novo interior surgir? Penso que sim, até porque o turismo tem em Monchique enormes potencialidades, por isso é preciso preservar a paisagem que ainda não foi destruída e cuidar do ambiente.
Só que as mudanças fazem a sua dor, e é uma tristeza ver partir a maior parte dos nossos amigos, em busca duma vida melhor. Por muito que Monchique ainda venha um dia a ser aprazível viver, ninguém pode evitar o sofrimento dos que vêem ruir a esperança de puderem ter uma vida digna na terra que os viu nascer e crescer.
Espero ao menos que todas as vítimas deste “progresso”, que já ninguém parece controlar, sirva de exemplo para que alguma coisa no futuro, possa mudar para melhorar a nossa terra que tanto amamos.