19/08/07

A CONCORRÊNCIA NA ENERGIA ELÉCTRICA NUNCA MAIS CHEGA!


Desde 4 de Setembro de 2006, todos os consumidores em Portugal Continental podem escolher o seu fornecedor de energia eléctrica. Esta data antecipa o cumprimento da directiva nº.2003/54/CE, que estabelece que a partir de 1 de Julho de 2007 todos os clientes de energia eléctrica poderão escolher livremente o seu fornecedor de energia eléctrica.

Foi mais ou menos assim que o País acordou um dia, que já não me lembro qual, sobre um assunto que há muito estava calendarizado: A liberalização da energia eléctrica. A partir dessa data existia a possibilidade, pelo menos em teoria, passando a prática no futuro, de todos os consumidores de energia eléctrica, poderem escolher a empresa que melhores condições oferecesse. Acabaria assim finalmente o monopólio da EDP.

Como já vai sendo hábito, sempre que esta notícia é apresentada é sempre enaltecido as vantagens de tal liberalização e os grandes órgãos da comunicação social fazem eco disso mesmo, explicando até com os melhores analistas encartados os seus grandes benefícios para todos nós: “Associada à liberalização e à construção do mercado interno de electricidade está um esperado aumento da concorrência, com reflexos ao nível dos preços e da melhoria da qualidade de serviço, a que deverá corresponder uma maior satisfação dos consumidores de energia eléctrica”. É mais ou menos assim que a notícia é apresentada. O povo sempre crédulo acredita em tais notícias, e sempre vai dizendo que a concorrência faz baixar os preços.

Acontece porém que quando estávamos à espera de sermos invadidos por empresas de toda a Europa, com especial destaque para as espanholas, nada até hoje aconteceu. Perante a surpresa geral, lá foram aparecendo alguns representantes das tais ditas empresas, explicando que a possibilidade de escolher o tal fornecedor, não será a breve prazo possível, porque os preços, actualmente cobrados aos consumidores são demasiado baixos, tendo em conta os interesses das empresas potencialmente fornecedoras, e que assim teriam que esperar pela autoridade da concorrência, para corrigir os preços no sentido de um aumento muito considerável dos preços, e que só a partir daí, será possível cada consumidor começar a escolher a opção que melhor se adapte aos seus interesses.

Ora todos sabemos que esse exagerado aumento já esteve na "calha", e no qual gerou um escândalo no País no qual o governo teve que recuar. Originou mesmo a demissão do presidente da ERSE. Entretanto, já se anunciou que os preços de electricidade vão baixar em média entre os 2,5 por cento e os 3,5 por cento a partir de 1 de Setembro. Temos assim que esperar calmamente que a concorrência chegue, porque sem um galopante aumento do preço da electricidade para as empresas e para os particulares, nenhuma empresa do sector da electricidade está interessada no negócio.

Só depois, quando os preços estiverem à medida certa das tais empresas concorrentes chegará finalmente a grande vantagem de podermos ter um plano de preços de entre os muitos indecifráveis que só vai servir para baralhar a maioria do povo português, publicitando que a partir daí a electricidade passará a ser quase de borla. Depois de tudo equacionado e bem ponderado e tendo em conta as experiências que tem acontecido nos outros sectores, onde a liberalização já chegou, já deu para perceber que quando essa operação chegar, ela vai ser muito vantajosa para os grandes grupos económicos do sector, porque neste momento ainda não o é, e não há empresas interessadas, estando as mesmas à espera da ajuda do governo e da entidade reguladora que tarda em chegar. Mas lá chegará o dia em que será exigido o sacrifício aos pagantes da electricidade para que a partir daí possam ter a tal “liberdade de escolha” com o preço feito à medida de tais empresas.

Por isso foi com surpresa que apareceu, agora, a Galp uma empresa Portuguesa que anunciou que vai entrar na corrida da electricidade. Esperemos que seja a valer e que não espere por a tal ajuda, que todas as outras, impacientemente, aguardam. As estrangeiras que continuem à espera! Será que a Galp vem mesmo disposta a perder dinheiro? Só o futuro o poderá dizer.

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