26/03/07

SALAZAR NÃO MORREU!


A DEMOCRACIA ESTÁ ASSUSTADA!

Os Portugueses não querem saber da história, querem é servir-se de um concurso para lavrarem o seu vivo protesto por tudo o que de mal lhes está a acontecer, porque são sobretudo jovens, reformados, e ainda alguns descontentes da função pública, que sentem as maiores dificuldades do dia a dia e que contribuíram com a maioria de votos para este desfecho.

A maioria dos Portugueses que acreditam num regime democrático ficou em estado de choque, e mais ainda ao serem confrontados por uma votação completamente surpreendente. Esta votação pode demonstrar sobretudo o descrédito em que caiu a acção partidária neste País.

Por vivermos em Democracia é possível perguntar aos Portugueses a figura que mais admiram. Porque a democracia tem destas coisas. Dá liberdade de votar num inimigo da Democracia, mas o contrário seria impossível de acontecer.

E também porque vivemos em Democracia é possível perguntar aos Portugueses a figura que mais admiram, e é essa mesma democracia que fica em “cheque”, quando os Portugueses não escolhe nenhum democrata, e elege como ídolos precisamente figuras ditatoriais, que nunca respeitaram a liberdade os outros.

Como pode um Português que sempre fez (e sonhou) um País orgulhosamente só, cheio de portugueses complexados, e dele dependentes, ser considerado o grande Português? Um Português que promovia a ignorância, o conformismo, associada a uma vida miserável que dava à maioria dos Portugueses. As pessoas já se esqueceram, ou não se querem lembrar, da fome e do obscurantismo que varreu este País, durante 48 anos?

Porque Salazar também tinha algumas virtudes e isso é bom lembrá-lo, valores como a honestidade, seriedade, e segurança, pela vida humilde que tinha, e cultivava, e por ter salvado as finanças públicas, e ainda ter evitado de Portugal ter entrado directamente na 2ª guerra Mundial.

Mas só isso não chega!

Também é bom que se tenha em atenção que são os mais velhos os mais saudosistas do passado, que ainda vivem com a nostalgia dos tempos antigos. Agora os jovens que nunca conheceram o passado e que contribuíram para este desfecho tinham a obrigação de ter um grau de cultura suficientemente forte, para saber destrinçar as vantagens da Democracia em relação à ditadura.

Porque não basta dizer que na ditadura não se podia falar, e que agora todos falam e que ninguém os quer ouvir. E ainda têm dúvidas do que é pior. Por outro lado, quando não se quer dar assim tanta importância à liberdade, são os mesmos que reclamam a falta dela, que os impede de livremente e tranquilamente em paz e segurança, de noite ou fora dela, em qualquer grande cidade, de passear sem ser incomodado por um qualquer marginal.

A Democracia também tem os seus custos, e uma delas é a liberdade ou da falta dela! Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal ao mesmo tempo.

Porque a Democracia tem as suas fraquezas e grandes falhas e todos nós sabemos reconhecer isso, e a maior promiscuidade é entre o poder e o futebol, entre a política e os grande interesses económicos, a corrupção a todos os níveis, desanimam qualquer Português com consciência, porque já se está a ver que o crime compensa. Porque nunca há culpados, não há julgamentos. Multiplicam-se os inquéritos e as investigações e tudo vai ficando no esquecimento.

Tudo isso é verdade, porque temos acesso a essa informação! Só que antigamente tudo estava debaixo do controlo duma rigorosa polícia política que era a PIDE que muita gente já se esqueceu, e não deixava ninguém saber de nada.

Fico admirado é também dos Portugueses já se terem esquecido, do nosso líder carismático, D. Sebastião, emergindo dum nevoeiro qualquer, que ponha ordem nesta balbúrdia e que pode salvar o que resta da nossa dignidade Nacional.

Mas atenção Portugueses que muita coisa está mudando, e ele até já pode ter chegado, e ainda ninguém ter dado por isso!

3 comentários:

Ana Pinto disse...

Prefiro pensar que cabe a cada um de nós, portugueses, o dever de fazer pela nossa dignidade, em vez de a deixar nas mãos de um fedelho imponderado que jamais ressurgirá na neblina. Já está na hora de combater o comodismo e o marasmo genético de que padecemos desde há séculos.

Qual a legitimidade de um pseudo-concurso televisivo, que dá maior relevância aos aspectos biográficos das personalidades em apreço, que ao seu efectivo contributo para a nossa história? "Bom rei ou mau filho?": em que medida nos interessa, enquanto nação, a relação que o nosso primordial rei tinha com a sua (politicamente manipulável) mãe?

Salazar foi de facto um grande português, em várias vertentes, desde a Economia, à construção de escolas por todos os recantos de Portugal, de barragens... exceptuando, claro, o tipo de regime que instituiu, sob cuja égide se cometeram torturas atrozes aos cidadãos e aos valores da Liberdade, da Consciência, e manipulando a nossa História em seu favor.
No entanto, a prova de que o "ti'António" é grande (seja em que sentido for), reside no facto de, morto há mais de 3 décadas, ainda hoje viver na nossa memória colectiva, e continuar a assombrar-nos. Resta-nos exorcizá-lo do nosso espírito, tirar as devidas lições, e seguir em frente.

Há que analisar a realidade em que vivemos hoje, com os saudosismos salazaristas de muitos, e o recrudescimento de cada vez maiores grupos organizados de jovens a enveredarem pelos ideais de direita (realidade com que tenho convivido ultimamente na faculdade). Só depois de compreendermos o motivo, poderemos salvar a nossa dignidade e usufruir em pleno da nossa Democracia.

rui disse...

não há palavras...

Anónimo disse...

A democracia é por natureza tolerante!
48 anos é muito tempo.Habituaram-se a ter um pai tirano.
O passado não se pode apagar.
...e não foi bom!
Parabens pelo blog

noémia

Veja as fotos que se encontram, em baixo, no final do blogue!

Todas as fotos são referentes ao concelho de Monchique!

as mesmas são propriedade deste blogue e do seu autor

as mesmas são propriedade deste blogue e do seu autor